Laudo Técnico de Segurança

Laudo de Verticalização: Passo a Passo e Exigências Legais

Um laudo de verticalização é uma ferramenta importante para quem utiliza porta-paletes e precisa garantir que a estrutura esteja instalada, alinhada e operando dentro de condições seguras. Mais do que um documento para cumprir uma exigência, ele ajuda o gestor a identificar problemas que podem comprometer a estabilidade da estrutura, a carga armazenada e, principalmente, a segurança das pessoas.

Na prática, uma pequena inclinação, uma coluna deformada ou uma ancoragem inadequada pode parecer apenas um detalhe. Entretanto, quando a estrutura recebe toneladas de materiais e sofre impactos de empilhadeiras diariamente, esses detalhes passam a ter grande importância.

Por isso, entender quando realizar o laudo de verticalização, quem pode emitir a documentação e o que deve ser verificado é fundamental para uma operação segura e organizada.

O que é o laudo de verticalização de estoque?

O laudo de verticalização é um documento técnico elaborado a partir da avaliação das condições de instalação e estabilidade de uma estrutura de armazenagem, especialmente sistemas porta-paletes.

O objetivo é verificar se o sistema está instalado de acordo com o projeto, com as condições previstas para sua utilização e com os critérios técnicos aplicáveis. A avaliação pode envolver, por exemplo, o prumo das colunas, o nivelamento, as fixações, os componentes estruturais, as deformações e a configuração dos níveis de armazenamento.

A ABNT NBR 17150-2:2024 estabelece requisitos relacionados a tolerâncias, deformações e folgas de estruturas estáticas tipo porta-paletes, incluindo aspectos de montagem, prumo e interação com o piso. A norma também prevê a possibilidade de levantamento das medidas e o registro dos resultados em relatório.

Imagine, por exemplo, um porta-paletes que recebeu uma batida de empilhadeira. A coluna pode ter entortado e perdido parte da sua capacidade de suportar a carga. Nesse caso, simplesmente continuar utilizando a estrutura porque “ela ainda está de pé” não é uma avaliação técnica.

É justamente aí que entra o laudo técnico porta paletes: transformar uma inspeção visual e medições técnicas em uma conclusão documentada sobre as condições da estrutura.

Quando o laudo técnico de porta-paletes é obrigatório?

Aqui existe uma diferença importante: a legislação brasileira não utiliza, de forma geral e única, o termo “laudo de verticalização” como um documento obrigatório para todo e qualquer porta-paletes.

Por outro lado, isso não significa que a estrutura esteja fora das exigências legais.

A NR-11 estabelece requisitos para transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais. Entre eles, determina que os armazéns sejam projetados, construídos e mantidos de modo a garantir segurança e saúde aos trabalhadores, por profissional legalmente habilitado e de acordo com as normas técnicas oficiais vigentes. Também estabelece que o peso armazenado não pode superar a capacidade de carga do piso e que a disposição dos materiais não pode comprometer portas, equipamentos contra incêndio, saídas de emergência, trânsito ou iluminação.

Portanto, a necessidade de um laudo de verticalização ou de uma avaliação estrutural formal pode surgir especialmente quando há:

  • instalação de um novo sistema de porta-paletes;
  • alteração da configuração original da estrutura;
  • remanejamento ou desmontagem e remontagem;
  • mudança de capacidade de carga;
  • alteração dos níveis das longarinas;
  • impactos de empilhadeiras;
  • deformações ou corrosão;
  • dúvidas sobre a estabilidade da estrutura;
  • mudança no tipo de carga ou equipamento de movimentação;
  • exigência contratual, seguradora ou de órgão fiscalizador.

Além disso, quando existe uma alteração relevante no sistema, não basta avaliar apenas se “a estante cabe no espaço”. É necessário verificar se a nova configuração continua compatível com o projeto estrutural, as cargas e as condições de operação.

Como é feito um laudo de verticalização?

Um bom laudo de verticalização começa muito antes da medição do prumo. O profissional precisa compreender como aquela estrutura foi projetada e como ela está sendo utilizada.

1. Levantamento das informações

Primeiro, são analisados documentos disponíveis, como projeto, especificações do fabricante, capacidade de carga, desenhos, configuração dos módulos e informações sobre as cargas armazenadas.

Quando esses documentos não existem, a inspeção precisa ser ainda mais criteriosa. Nesse cenário, o profissional deve levantar as características reais da instalação antes de chegar a qualquer conclusão.

2. Inspeção visual da estrutura

Na sequência, o profissional percorre os corredores e verifica os principais componentes do sistema.

São observados montantes, longarinas, diagonais, placas de base, chumbadores, conectores, proteções e demais elementos relevantes.

Também se procuram sinais de impacto, deformação, corrosão, peças soltas ou ausentes e alterações realizadas sem avaliação técnica.

Uma coluna que apresenta uma deformação após uma colisão, por exemplo, merece atenção imediata. O dano pode alterar a capacidade estrutural mesmo que a peça continue aparentemente funcional.

3. Medição do prumo e nivelamento

Esta é uma das etapas mais associadas ao laudo de verticalização.

O profissional realiza medições para verificar quanto a estrutura se afastou da posição prevista. Além disso, avalia a relação entre a estrutura e o piso do armazém.

A NBR 17150-2:2024 trata justamente das tolerâncias de montagem, incluindo variações dimensionais, nivelamento e desvios de prumo.

O resultado precisa ser interpretado de acordo com a classe do sistema, configuração, equipamento de movimentação e condições de projeto. Portanto, não é seguro adotar uma única medida de tolerância para todos os porta-paletes.

4. Verificação da configuração e das cargas

Depois das medições, é necessário comparar a situação encontrada com aquilo que foi especificado.

Se a estrutura foi projetada para determinada capacidade e o operador passou a armazenar cargas maiores, existe um problema que não será resolvido apenas verificando o prumo.

Da mesma forma, mudar a altura dos níveis ou instalar novos componentes pode alterar o comportamento do sistema.

5. Emissão do relatório técnico

Por fim, o profissional reúne medições, registros fotográficos, não conformidades, conclusões e recomendações.

Quando necessário, o documento pode indicar a necessidade de reparo, substituição de componentes, adequação da configuração ou retirada temporária de determinada posição de armazenagem.

Esse cuidado transforma o laudo de verticalização em uma ferramenta de gestão, e não apenas em um documento arquivado.

Quem pode assinar e emitir a ART de sistemas de armazenagem?

A ART de porta paletes está relacionada à responsabilidade técnica pelo serviço de engenharia realizado.

De acordo com o Confea, a ART é o instrumento que identifica, para fins legais, o responsável técnico por atividades abrangidas pelo Sistema Confea/Crea. A Resolução nº 1.137/2023 estabelece que contratos para execução de obras ou prestação de serviços de engenharia sujeitos ao Sistema devem ter ART registrada no Crea correspondente.

Assim, não é simplesmente “qualquer profissional” que pode assinar um documento técnico sobre uma estrutura de armazenagem. O engenheiro deve possuir registro profissional regular e atribuições compatíveis com a atividade que está assumindo.

Em São Paulo, por exemplo, o Crea-SP informa que a ART deve ser registrada antes do início da atividade técnica e que o profissional precisa estar com registro ou visto em situação regular para a atuação correspondente.

Portanto, ao contratar uma empresa de montagem de porta paletes ou uma empresa especializada em inspeção, vale conferir quem será o responsável técnico e qual atividade está efetivamente coberta pela ART.

O que os fiscais do trabalho e bombeiros analisam nas estantes industriais?

A fiscalização pode variar conforme a situação, o estabelecimento e a legislação aplicável. Porém, alguns pontos são recorrentes.

Na área de segurança do trabalho, a NR-11 é especialmente relevante. O armazenamento deve respeitar a capacidade do piso, não bloquear equipamentos contra incêndio ou saídas de emergência e manter condições seguras de circulação e operação.

Já a NR-23 determina que as organizações adotem medidas de prevenção contra incêndios em conformidade com a legislação estadual e, quando aplicável, com normas técnicas oficiais.

Por isso, em uma inspeção podem ganhar importância aspectos como:

  • estabilidade e conservação da estrutura;
  • existência de danos ou deformações;
  • capacidade e identificação das cargas;
  • condições de circulação dos equipamentos;
  • proteção contra impactos;
  • acesso aos equipamentos de combate a incêndio;
  • saídas e rotas de emergência;
  • compatibilidade da instalação com as medidas de segurança contra incêndio aprovadas.

No caso do Corpo de Bombeiros, é importante lembrar que a análise segue as regras estaduais e os documentos técnicos aplicáveis ao imóvel. Portanto, os critérios não devem ser tratados como se fossem idênticos em todo o Brasil.

Qual é a frequência obrigatória de vistorias estruturais?

Este é outro ponto que costuma gerar confusão.

No Brasil, não se deve afirmar que existe uma regra federal única determinando que todo porta-paletes precisa receber um “laudo de verticalização” exatamente uma vez por ano.

Entretanto, a inspeção periódica é uma prática técnica essencial. A própria NBR 17150-2:2024 considera a existência de programa de inspeção periódica e de manutenção como parte das condições de segurança do sistema, fazendo referência às recomendações da EN 15635.

A EN 15635 estabelece, como referência internacional para aplicação e manutenção de sistemas de armazenagem, inspeções visuais regulares e inspeção por pessoa tecnicamente competente em intervalo não superior a 12 meses.

Na realidade brasileira, portanto, a frequência deve considerar o projeto, o fabricante, o nível de risco, a intensidade de operação, os impactos sofridos e as exigências específicas aplicáveis à instalação.

Além disso, uma ocorrência importante não deve esperar a próxima vistoria anual. Se uma empilhadeira colidir com um montante, por exemplo, a área afetada deve ser avaliada antes de voltar à operação normal.

A NV Projetos pode te ajudar

A segurança do porta-paletes não termina quando a montagem é concluída. Pelo contrário: é durante a operação que a estrutura fica exposta a impactos, alterações de configuração, movimentação de cargas e desgaste.

A NV Projetos atua com inspeção técnica de porta-paletes, avaliando as condições da estrutura e identificando situações que precisam de correção. Para conhecer o serviço, acesse a página de Inspeção Técnica de Segurança em Porta-Paletes.

Quando a inspeção identifica componentes danificados ou outras condições que exigem intervenção, a manutenção também precisa ser tratada com critério técnico. A NV Projetos oferece serviço de Manutenção de Porta-Paletes para apoiar a recuperação e a conservação das estruturas.

Mais importante do que simplesmente “ter um laudo” é saber o que ele representa. Um laudo de verticalização bem elaborado ajuda a responder perguntas essenciais: a estrutura está realmente dentro das condições previstas? As cargas estão compatíveis? O sistema continua seguro depois das alterações e impactos? Existem correções que precisam ser feitas antes de continuar a operação?

Em um armazém, essas respostas fazem diferença. Afinal, uma estrutura de armazenagem segura protege muito mais do que o estoque: protege pessoas, equipamentos, produtividade e a continuidade da operação.

NV Projetos

Somos uma empresa formada por profissionais que possuem mais de 30 anos de experiência nas áreas de logística, engenharia, vendas de estruturas de armazenagem e tecnologia da informação. O nosso foco é fornecer a melhor solução com o melhor custo beneficio para o cliente.

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